Terreiro Guerreiros do Vento, em Curitiba, foi alvo de uma Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU) na última sexta-feira (8) que surpreendeu pela desproporção do efetivo mobilizado: 14 viaturas, entre Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e fiscais municipais de diversas áreas. A operação interrompeu uma gira de Umbanda que reunia apenas 13 pessoas no espaço.
Segundo a dirigente espiritual Talissa Carvalho Huebner, o terreiro tem todos os alvarás exigidos pela prefeitura, mas enfrenta há meses hostilidade de uma vizinha que aciona a polícia em dias de cerimônia. “Desde que viemos para este local, há dois anos, convivemos com problemas. A vizinha chama a polícia sempre que vê pessoas de branco entrando no terreiro. Já reduzimos o uso de tambores, evitamos palmas e ajustamos horários para não passar das 22h, mas mesmo assim a polícia continua sendo acionada”, relata.
Terreiro Guerreiros do Vento fica no Abranches e vem sendo alvo de denúncias de perturbação do sossego, mas dirigente espiritual afirma se tratar de perseguição religiosa
A PM afirma que as AIFUs são realizadas em locais com registros de perturbação do sossego. No entanto, a dirigente lembra que em ocorrências anteriores os próprios policiais registraram em boletins que não havia som alto. Desta vez, além do número de viaturas, a forma de abordagem chamou atenção. “Eles entraram sem autorização, gritando ‘todo mundo pra fora agora’. Tentamos mostrar os alvarás, mas não quiseram nos ouvir”, afirma Talissa.
Imagens de câmeras de segurança mostram policiais dentro do terreiro fazendo piadas e cumprimentos, em contraste com a alegada gravidade da operação. Para Talissa, o episódio reforça a percepção de que o terreiro não enfrenta apenas fiscalização urbana, mas um processo de intolerância religiosa disfarçado de ação administrativa.
O Plural procurou a Polícia Militar do Paraná (PMPR) para esclarecer como são definidos os números de viaturas e agentes mobilizados em cada operação da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU), além dos critérios utilizados na abordagem realizada na última sexta-feira. Até o momento da publicação, contudo, não houve retorno da corporação.
Fonte: Plural
Foto: Plural

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