O inverno de 2026 começa às 5h24 deste domingo (21) no Hemisfério Sul e deverá apresentar características diferentes das normalmente observadas no Paraná. Segundo previsão divulgada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a estação terá volumes de chuva acima da média histórica e temperaturas ligeiramente superiores aos padrões climáticos para o período.
Tradicionalmente, o inverno é a estação mais fria e mais seca do ano no Estado. No entanto, a influência do fenômeno El Niño deve alterar esse comportamento ao longo dos próximos meses, aumentando a frequência de sistemas frontais e de eventos de chuva.
Além disso, o início da estação será marcado pelo solstício de inverno, quando ocorre o dia mais curto e a noite mais longa do ano devido à inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol.
Estação costuma ser marcada por frio, geadas e pouca chuva
Historicamente, o inverno paranaense apresenta redução significativa das chuvas, principalmente nas regiões Norte e Centro do Estado. Durante esse período, massas de ar frio e seco avançam com maior frequência sobre o Paraná, prolongando os intervalos entre eventos de precipitação.
Segundo o meteorologista do Simepar, Leonardo Furlan, as frentes frias continuam sendo o principal mecanismo responsável pelas chuvas durante a estação.
“Historicamente, durante o inverno, sistemas de alta pressão associados ao avanço de massas de ar frio e seco atuam com maior frequência, tornando os intervalos entre eventos de precipitação mais prolongados. A passagem de sistemas frontais permanece como o principal mecanismo responsável pelas chuvas”, explica.
De acordo com o meteorologista, os maiores volumes de chuva costumam ocorrer nas regiões Oeste e Sudoeste, enquanto os menores acumulados são registrados no Norte do Paraná.
Geadas e nevoeiros seguem presentes no inverno
Mesmo com a influência do El Niño, o inverno continuará apresentando episódios de frio intenso em diversas regiões do Estado. As massas de ar polar vindas da Antártica e do sul da América do Sul favorecem quedas acentuadas de temperatura e a ocorrência de geadas.
As regiões mais propensas ao fenômeno são o Sul, Centro-Sul, Sudoeste, Campos Gerais e a Região Metropolitana de Curitiba.
Além das geadas, a estação também será marcada pela ocorrência frequente de nevoeiros, especialmente durante as manhãs. Outro fenômeno típico do período são os veranicos, mais comuns em agosto, caracterizados por dias seguidos de tempo seco e temperaturas elevadas para a época.
El Niño deve alterar comportamento do clima no Estado
As mudanças previstas para o inverno de 2026 estão relacionadas à atuação do El Niño. O fenômeno foi oficialmente confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) no último dia 11 de junho.
Os dados apontam que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial permanece acima de 0,5°C desde maio e deve continuar aumentando nos próximos meses. O aquecimento também é observado nos primeiros 200 metros de profundidade do oceano.
Quando os ventos alísios enfraquecem, as águas mais quentes do Pacífico se deslocam em direção à costa oeste da América do Sul, alterando a circulação atmosférica e influenciando os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
“O El Niño aumentará no Paraná a frequência de chuvas e sistemas frontais, ocasionará menor amplitude térmica, mais ocorrências de nevoeiros e geadas menos generalizadas”, detalha Leonardo Furlan.
Chuvas devem aumentar ao longo da estação
Segundo a previsão do Simepar, a influência do El Niño será percebida de forma mais intensa a partir de julho e agosto. Com isso, a amplitude térmica deverá diminuir gradativamente, reduzindo os contrastes entre temperaturas mínimas e máximas.
O frio tende a perder intensidade ao longo de agosto e, em setembro, as temperaturas devem ficar ligeiramente acima da média histórica para o período.
Já os volumes de chuva devem permanecer acima da média durante todo o inverno, com tendência de aumento gradual conforme a aproximação da primavera.
Estado reforça monitoramento e prevenção de desastres
Diante da previsão de maior ocorrência de chuvas, o Simepar iniciou a contratação de novos meteorologistas e avançou nos processos para aquisição de radares meteorológicos e bóias oceanográficas por meio dos programas Monitora Paraná e Monitora Litoral.
As iniciativas contam com apoio do Instituto Água e Terra (IAT) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). Os projetos incluem ainda a implementação de um Sistema de Modelagem Oceanográfica e de um Sistema de Alertas de Desastres.
Os novos equipamentos irão fortalecer o monitoramento de rios e das condições oceânicas, fornecendo informações que auxiliam a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil na tomada de decisões durante situações de risco.
Defesa Civil orienta municípios para enfrentar eventos extremos
Desde março, a Defesa Civil do Paraná vem reforçando orientações aos municípios para preparação e mitigação de possíveis ocorrências associadas ao aumento das chuvas, como inundações, alagamentos e deslizamentos.
Entre as ações já realizadas estão simulados de desastre nos municípios de Antonina e Morretes, no Litoral do Estado. Também foram recomendadas medidas como desobstrução de galerias pluviais, desassoreamento de rios e revisão de áreas de risco e locais destinados a abrigos temporários.
“Estamos acompanhando a formação deste fenômeno com muita atenção aqui no Paraná. A Defesa Civil integra ações que envolvem outras secretarias e todos os municípios do Estado. Naturalmente aquelas áreas onde há um histórico de tragédias precisam concentrar um plano reforçado para reduzir os impactos à população”, afirmou o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig.
Fonte: Diário do Sudoeste
Diário do Sudoeste

0 Comentários