Importações de ureia atingem menor nível em 10 anos no Brasil, segundo Rabobank

Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná

Mesmo com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, o conflito no Oriente Médio continua influenciado o mercado global de fertilizantes. Entre janeiro e maio, cerca de 1,5 milhão de toneladas de ureia chegaram ao país, segundo relatório do Rabobank. Trata-se do menor valor dos últimos dez anos.

Em maio de 2026, chegaram ao país 116 mil toneladas de ureia, cerca de 64% abaixo do registrado em igual período do ano passado, conforme o relatório. "Ainda existe tempo para compensar esse atraso, mas a cada dia fica mais difícil observar uma importação de ureia acima do volume importado em 2025", observa o Rabobank.

A demanda retraída por ureia reflete a trajetória recente de preços semelhante à observada nas primeiras semanas da Guerra da Ucrânia, em 2022. De acordo com o relatório, naquela ocasião o preço levou cerca de seis semanas para atingir o pico e outras dez semanas para retornar ao nível pré-conflito.

Já as importações totais de fósforo entre janeiro e maio estão 3% acima do mesmo período do ano passado. A queda nas importações de MAP está sendo compensada de certa forma pelo aumento nas compras de supersimples (SSP) e supertriplo (TSP), segundo o Rabobank.

O cenário leva à projeção de uma retração na demanda em 2026. O RaboResearch calcula que a entrega de fertilizantes deva ficar ao redor de 45,1 milhões de toneladas até o final do ano, o que representa queda de 8,2% em relação ao ano passado.

Soja

Ao mesmo tempo em que o Brasil projeta uma safra recorde de soja no ciclo 2026/27, estimada em 182 milhões de toneladas, as perspectivas de demanda também são robustas. Dentro desse contexto, o RaboResearch, braço de pesquisa e análise de mercado do Rabobank, projeta novos recordes para o consumo da oleaginosa.

Entre janeiro e maio de 2026, conforme dados da Cargonave, houve um crescimento de 8% nas exportações brasileiras de soja. No acumulado do ano, a estimativa é de que o volume alcance 113 milhões de toneladas, um acréscimo de 5 milhões de toneladas em relação à safra passada. A estimativa também é de expansão no esmagamento.

A instituição destaca que as exportações brasileira de soja permaneceram aquecidas mesmo diante da elevação dos fretes internos, dos sinais de enfraquecimento da demanda chinesa e da apreciação do real frente ao dólar.

O relatório do Rabobank aponta ainda que, durante o primeiro semestre do ano, os preços da soja foram fortemente influenciados pelo cenário geopolítico. Nas últimas semanas, porém, com o avanço da safra norte-americana, as cotações voltaram a ser guiadas pelos fundamentos do mercado.

"Caso as condições climáticas nos EUA permaneçam favoráveis, é possível que os preços em CBOT (bolsa de Chicago) sofram novas quedas no curto prazo", observa o documento.

Milho

O RaboResearch, braço de pesquisa e análise de mercado do Rabobank, revisou para cima a estimativa para a safra brasileira de milho. O volume de produção agora está estimado em 138 milhões de toneladas, 1 milhão a mais em relação ao último relatório.

A revisão deve-se principalmente às condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de milho safrinha em Mato Grosso, o que compensa parcialmente as perdas registradas em outros Estados.

A concorrência internacional, especialmente dos Estados Unidos e da Argentina, deve contribuir para restringir o ritmo das exportações em 2026. A estimativa do Rabobank é de que os embarques alcancem 39 milhões de toneladas, uma redução de cerca de 3 milhões em relação ao registrado no ano passado.

"A confirmação de uma safra robusta poderá exercer pressão adicional sobre os preços internacionais, que tendem a permanecer mais sensíveis às variações cambiais e ao cenário macroeconômico global", afirma o relatório.

Leite

Após avançar em 2025 ao maior ritmo em 15 anos, a produção brasileira de leite deve encerrar 2026 em um nível próximo da estabilidade, segundo o Rabobank. No ano passado, a captação formal foi de 27,5 bilhões de litros.

De acordo com relatório da instituição holandesa, as margens baixas no campo, no final de 2025, resultaram em uma menor produção no início de 2026. O volume deve registrar um aumento "marginal" no segundo trimestre, segundo o relatório.

O Rabobank destaca ainda que o excesso de chuvas na região Sul, em razão do El Niño, pode reduzir a oferta em Estados produtores no final do terceiro trimestre.


Fonte: Globo Rural: