A Polícia Civil indiciou o ator Marco Furlan, de 48 anos, por estupro de vulnerável contra um menino autista de 5 anos em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. O caso aconteceu na madrugada de domingo (2), durante uma festa de aniversário realizada em uma chácara, e é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município.
O ator está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) I de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. A unidade recebe exclusivamente presos provisórios envolvidos em crimes contra a dignidade sexual.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as investigações estão sob sigilo. "Demais informações sobre o caso serão preservadas em razão da natureza da ocorrência e por envolver menor de idade, em observância à legislação vigente", disse a pasta.
Procurada pelo g1, a advogada de defesa, Graciele Queiroz, afirmou que o ator é inocente e criticou a duração do inquérito, concluído em cinco dias. Segundo ela, diversas pessoas que estavam na residência no momento dos fatos não foram ouvidas.
“Havia cerca de 100 pessoas na festa e 22 pessoas dentro da casa, sem a realização de diligências que a defesa considera relevantes, como a coleta do lençol da cama, a oitiva de todos os presentes e de outros possíveis elementos materiais capazes de confirmar ou afastar a narrativa apresentada”, afirmou.
“Causa preocupação à defesa que uma investigação de tamanha gravidade tenha sido encerrada em prazo tão curto, sem o aprofundamento de diligências que poderiam contribuir para o esclarecimento integral dos fatos”, afirmou.
“A defesa respeita o trabalho das instituições e a dignidade de todos os envolvidos, mas sustenta a inocência de Marco Furlan.”
Relembre o caso
A mãe da criança participava da confraternização e havia deixado o filho dormindo em um dos quartos da residência, segundo o boletim de ocorrência.
Em depoimento, ela afirmou que ouviu gritos vindos do cômodo e correu para verificar o que estava acontecendo. Ao entrar no quarto, relatou ter encontrado o filho e o suspeito sem roupas. A criança reclamava de dores na região anal e foi levada para atendimento médico.
A versão apresentada pela mãe foi reforçada pelos depoimentos de testemunhas ouvidas pela Polícia Civil. Uma delas contou ter escutado a criança gritar "para, tá doendo" momentos antes de seguir em direção ao quarto. Ao entrar no local, afirmou ter visto Marco Furlan ao lado do menino. Outra testemunha confirmou ter encontrado a mãe em estado de choque logo após os fatos.
Os policiais militares que atenderam a ocorrência informaram que, inicialmente, Marco Furlan disse que havia passado mal e entrado no quarto por engano, alegando ter confundido a criança com a namorada. Posteriormente, já na delegacia e acompanhado por advogados, afirmou que havia consumido cerveja durante a festa e que não se recordava dos acontecimentos, dizendo lembrar apenas do momento em que foi colocado na viatura.
Ao analisar o caso, a delegada responsável entendeu que os relatos da mãe, dos policiais e das testemunhas apresentavam coerência entre si e apontavam indícios suficientes da prática do crime de estupro de vulnerável. Embora o atendimento médico não tenha apontado lesões, a autoridade policial destacou que a jurisprudência dos tribunais superiores considera que a prática de ato libidinoso contra criança já é suficiente para a configuração do crime.
O suspeito foi preso em flagrante e indiciado. A Polícia Civil também representou pela conversão da prisão em preventiva, medida que foi posteriormente acolhida pela Justiça durante a audiência de custódia.
Marco Furlan é conhecido por trabalhos na televisão, no teatro e na publicidade. Nas redes sociais, costumava divulgar trabalhos realizados para diversas marcas e registrar sua trajetória artística.
Fonte: G1 Globo
Foto: Reprodução/Instagram

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