iPhone 18, dobrável e inteligência artificial são destaques do novo evento da Apple

Erick Teixeira/Canaltech

A Apple realizou na quarta-feira (9) seu primeiro grande evento sob o comando de John Ternus. O CEO sucedeu Tim Cook, que deixou o cargo após 15 anos. A expectativa era que a companhia apresentasse a nova geração do iPhone, o iPhone 18, e seu primeiro celular dobrável.

O evento também indicou qual caminho a Apple tomará após a gestão de Cook, além de responder a pressões por inovação, inteligência artificial e mudanças na cadeia global de produção.

Nova liderança na Apple

Ternus, que antes era vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumiu a liderança da Apple neste mês. Ele comandava a área responsável pela engenharia de produtos e esteve diretamente envolvido na criação de aparelhos como iPhone, Mac, iPad, AirPods e Apple Watch.

A escolha de um executivo com perfil técnico para o comando ocorre em um momento em que o hardware volta a ganhar importância na disputa tecnológica, especialmente com a necessidade de adaptar dispositivos à inteligência artificial.

Para Kenneth Corrêa, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e especialista em IA, a mudança representa também uma alteração no centro de gravidade da companhia. “A empresa escolheu colocar um engenheiro no topo porque o hardware voltou a ser o diferencial competitivo definitivo", afirmou.

O primeiro grande teste público dessa nova gestão esteve justamente no produto mais importante da Apple.

iPhone 18 deve ser evolução - não novidade

Especialistas apontavam que o iPhone 18 deveria ser marcado por atualizações, e não por grandes mudanças.

Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação, lembrou que a geração anterior do iPhone, o 17, trouxe melhorias relevantes em relação às câmeras e ao processador. Nesse caso, o iPhone 18 deveria ter apenas evoluções.

Na avaliação de Igreja, a importância maior do evento estaria em atualizar categorias que estavam há algum tempo sem novidades e em abrir espaço para novos formatos.

“A transformação está nos novos produtos e no update de dispositivos que estavam há algum tempo sem atualização, mas que são produtos que vendem muito, como é o caso da Apple TV. O iPhone mudou totalmente o hardware, mudou muita coisa no upgrade do 16 para o 17. Então, a minha expectativa não é tão grande assim em relação ao iPhone tradicional", explicou.

Ismael Kolling, vice-presidente de Estratégia e Ecossistema na Leapfone, também avaliava que a aposta em inovação deveria estar concentrada em novas categorias. No caso dos iPhones, a expectativa estava na ampliação dos recursos de inteligência artificial.

Além do iPhone 18, Arthur Igreja projetava atualizações em outras linhas da empresa, como smartwatches, fones de ouvido e Apple TV.

Dobrável pode ser a grande novidade

Os especialistas destacavam que a maior possibilidade de inovação estava em outro produto: a Apple deveria anunciar seu primeiro telefone dobrável no evento. Se confirmada, a apresentação marcaria a entrada da empresa em um segmento em que a rival Samsung já acumula várias gerações.

Para Igreja, a chegada tardia da Apple nesse mercado poderia ter duas consequências diferentes. Por um lado, a companhia poderia usar o tempo para lançar um produto já mais maduro. Por outro, enfrentaria as limitações naturais de uma primeira geração.

“Os rumores apontam para um dispositivo com algumas coisas aquém do que a Samsung já tem, porque ela já está nessa curva de maturação há bastante tempo. Mas seria um produto muito bem resolvido, muito bonito e com preço substancialmente alto", defendeu.

Ainda assim, há quem avalie que a entrada da Apple poderia ter impacto sobre todo o mercado de dobráveis.

“Os dobráveis já existem e não apenas da Samsung. A entrada da Apple pode acender a demanda pelo segmento”, afirmou Felipe Mendes, CEO do Grupo Pitzi.


Ismael Kolling, vice-presidente de Estratégia e Ecossistema na Leapfone, acreditava que, com o dobrável, a companhia poderia ajudar a consolidar um mercado que ainda não deslanchou. “A entrada da Apple na categoria irá promover uma mudança significativa na visão do consumidor”.

Segundo Arthur Igreja, recuperar terreno em relação aos concorrentes seria possível, mas não seria simples.

“A Apple, em várias categorias de produto, já esteve atrasada e conseguiu se posicionar. Não seria a primeira vez. Pode acontecer, sim".

Produtos mais caros entram no centro da estratégia

A possível aposta em modelos premium também poderia ganhar destaque na nova geração.

Para Felipe Mendes, existia espaço para produtos mais caros, mas o mercado brasileiro precisava ser analisado de forma segmentada. Isso porque as variações de renda por aqui são muito grandes. Ele avaliava que havia demanda para aparelhos de preços mais elevados entre consumidores de alta renda, desde que os produtos oferecessem diferenciais suficientes.

Já para Kolling, o aumento do custo dos componentes usados em sistemas de inteligência artificial ajudava a explicar a valorização dos aparelhos premium.

A tendência deveria fazer a Apple mudar sua estratégia de lançamento. Em vez de lançar todos os modelos da linha, a empresa poderia focar nos aparelhos da linha premium, como o Pro e o Max, deixando a versão de entrada e Air — as mais baratas — para outro momento.

## IA é o maior desafio da nova gestão

Se o evento deveria ser dominado pelo hardware, a inteligência artificial aparecia como uma das principais questões estratégicas para a Apple.

A empresa tinha o desafio de transformar a IA em um diferencial perceptível para o consumidor, em um mercado no qual concorrentes investem pesado em modelos próprios e grandes estruturas de computação.

Para Kenneth Corrêa, professor da FGV e especialista em IA, a Apple poderia seguir uma estratégia diferente da adotada por empresas como Microsoft e Google, concentrando-se menos na construção da infraestrutura da IA e mais na utilização da tecnologia diretamente em seus aparelhos.

“Enquanto Microsoft e Google queimam dezenas de bilhões de dólares construindo data centers colossais, a Apple se posiciona para ser dona da ponta final".

Segundo o especialista, a empresa possui uma base de mais de 2,5 bilhões de dispositivos ativos e desenvolve os próprios chips, o que abre espaço para executar parte das tarefas diretamente nos aparelhos. Essa estratégia também permitiria à companhia ter maior flexibilidade na escolha dos modelos de inteligência artificial utilizados em seus produtos.

O desafio seria transformar arquitetura em experiência concreta.

Arthur Igreja também acreditava que alguma novidade relacionada à IA deveria aparecer no evento, embora não esperasse uma mudança profunda.

“O foco desse evento é hardware, são produtos".

Primeiro evento do novo CEO

Além dos aparelhos, o evento de quarta-feira marcou a primeira demonstração pública de John Ternus como novo CEO.

Para Kenneth Corrêa, a mudança de CEO representava uma oportunidade para recolocar a inovação em hardware no centro da estratégia.

“O mercado deve esperar dessa gestão Ternus surpresas bastante físicas no hardware. A inovação vai sair das telas de chat em texto e voltar para o mundo tátil", defendeu.

A ideia, segundo ele, era que o diferencial da empresa estivesse menos em criar o modelo de IA mais poderoso e mais em transformar essa tecnologia em algo integrado ao uso cotidiano.

Arthur Igreja avaliava que o primeiro evento sob o novo CEO também deveria funcionar como uma espécie de passagem de bastão para uma nova fase da Apple.

Para ele, a expectativa não estava apenas no que seria anunciado, mas na capacidade da Apple de demonstrar que ainda tem novos produtos e caminhos para explorar.

Fonte: CNN