Vacina contra a nicotina pode “prender” substância no sangue e ajudar no combate ao vício

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Uma estratégia que vem sendo estudada por cientistas pode abrir um novo caminho para o tratamento da dependência de nicotina. Trata-se de uma vacina terapêutica contra a nicotina, desenvolvida para estimular o organismo a produzir anticorpos capazes de se ligar à substância ainda na corrente sanguínea, reduzindo a quantidade que consegue chegar ao cérebro.

A proposta é diferente das vacinas tradicionais usadas para prevenir doenças infecciosas. Quando uma pessoa fuma ou utiliza outro produto com nicotina, a substância entra rapidamente na circulação e alcança o cérebro, onde atua em receptores ligados ao sistema de recompensa. Com a vacinação, os anticorpos se ligariam às moléculas de nicotina, formando estruturas grandes demais para atravessar com facilidade a barreira que protege o cérebro.

Com menos nicotina chegando ao cérebro, a expectativa dos pesquisadores é diminuir o efeito de recompensa provocado pela substância e, consequentemente, ajudar no processo de abandono do cigarro e de outros produtos que contêm nicotina.

Estudos realizados em humanos já demonstraram que esse tipo de vacina consegue estimular a produção de anticorpos contra a nicotina. Em alguns ensaios, participantes que desenvolveram níveis mais elevados desses anticorpos apresentaram melhores taxas de abstinência. Entretanto, os resultados gerais ainda não foram suficientes para comprovar que a vacinação funcione de maneira consistente para todos os fumantes.

Uma revisão científica publicada em 2025 destaca que as vacinas contra a nicotina continuam sendo consideradas uma estratégia promissora. Um dos pontos de interesse é justamente agir sobre a nicotina antes que ela alcance o cérebro, em vez de atuar diretamente no sistema nervoso central.

Apesar do potencial, é importante destacar que não se trata, até o momento, de uma vacina capaz de simplesmente “curar” o vício. Pesquisas anteriores tiveram resultados variados, inclusive com estudos nos quais a vacina não conseguiu reduzir significativamente as recaídas. Além disso, a dependência envolve fatores físicos, psicológicos e comportamentais que não seriam necessariamente eliminados apenas bloqueando parte dos efeitos da nicotina.

Assim, a chamada vacina contra a nicotina representa uma linha de pesquisa interessante para o futuro do tratamento da dependência, mas ainda exige desenvolvimento e evidências clínicas mais robustas antes de ser encarada como uma solução disponível para quem deseja parar de fumar

Fonte: Beltrão Agora