Cães mortos em sacos de lixo: Polícia Civil investiga fraude em cremação no Paraná

Foto: CGN

A descoberta de pelo menos 12 cães mortos, descartados em sacos de lixo em uma área rural de Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), gerou forte comoção e levantou suspeitas de fraude em serviços de cremação animal. O caso veio à tona após um trabalhador, contratado para realizar a limpeza de um terreno isolado e sem iluminação pública ou câmeras de monitoramento, encontrar os corpos dos animais e acionar as autoridades locais.

Segundo relatos, ao abrir os sacos, o trabalhador percebeu que se tratava de cães descartados de maneira irregular. O secretário de Meio Ambiente de Tijucas do Sul, Keubi Jean da Costa, acompanhou a ocorrência e descreveu o impacto da cena. “Foi uma cena bem forte chegar aqui e ver toda aquela situação. A gente começou a identificar tamanho, ver se tinha alguma identificação de coleira. Trouxemos um leitor de chip de uma clínica parceira e não foi encontrado nenhum microchip”, afirmou ao repórter Ricardo Pereira, da Ric RECORD.

Após a divulgação das imagens nas redes sociais, o tutor Jonathan dos Santos reconheceu entre os animais sua cadela Pandora, que havia morrido em outubro de 2025. Segundo Jonathan, o animal foi entregue a uma clínica veterinária de Curitiba para cremação coletiva, serviço pelo qual pagou R$ 150. Ele afirma possuir conversas e áudios que comprovariam que a clínica intermediou o serviço com uma empresa terceirizada. “Levei ela com a minha mãe e com minha sobrinha pra gente fazer a última despedida na clínica. Eles relataram que seria uma empresa terceirizada e que seria cobrada uma taxa para a cremação coletiva, na qual eu não receberia as cinzas”, relatou.

Jonathan dos Santos expressou indignação diante do ocorrido. “A gente zela, cuida e ama para as pessoas simplesmente descartarem igual lixo. Se você identificar algum cachorro, entre em contato, não se cale. Isso foi com 12 cachorros, mas já imaginou quantos antes podem ter acontecido?”, questionou.

Polícia Civil apura possíveis crimes

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) instaurou inquérito para apurar as responsabilidades pelo caso. O delegado Guilherme Dias declarou que a situação pode configurar múltiplos crimes. “Isso configura, além do crime de estelionato, crime de poluição pelo descarte ilegal. Agora vamos investigar o contexto da morte dos animais e por que os criminosos agiram dessa forma. Vamos identificar todas as pessoas que participaram para depois responsabilizá-las criminalmente”, afirmou.

A investigação também busca esclarecer se outros cães encontrados no local passaram pela mesma clínica ou por outros estabelecimentos veterinários, uma vez que vários apresentavam sinais de atendimento médico recente.

Em nota, a Prefeitura de Tijucas do Sul repudiou qualquer ação de desrespeito e descarte irregular envolvendo animais e informou que acompanha o caso junto às autoridades competentes.

Clínica veterinária nega envolvimento

Procurada, a clínica veterinária acusada negou envolvimento com o descarte dos animais. Afirmou que não realiza coleta de animais mortos em domicílio e que, quando o tutor opta pela cremação, o serviço é feito por empresa terceirizada especializada, responsável por toda a retirada e destinação dos corpos. Segundo a clínica, o convênio é mantido apenas com prestadora legalmente habilitada, em conformidade com as normas sanitárias, e a empresa desconhece os fatos investigados, além de não possuir vínculo com o município onde os corpos foram encontrados.

O caso segue sob investigação das autoridades policiais e ambientais.

Fonte: CGN